EspeciaisEstado de Rondônia

Somos, definitivamente, destemidos pioneiros

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Rondônia não é pra amadores!

A Região Norte possui belezas que encantam a todos que descansam sob o manto do nosso pôr do sol. Nosso Estado possui paisagens que aguçam a visão, além de revelar uma história de bravura dos pioneiros que por aqui passaram.

As expedições norteadas pela dúvida oriente do intangível aliada ao descobrimento e a ausência de conhecimento empírico sobre uma área anteriormente não povoada, além dos esforços envidados na melhoria da região, não surtiram os efeitos esperados para integrar o Estado ao restante do país.

O Governador do então Território Federal do Guaporé, Aluizio Pinheiro Ferreira, já em 1943, recebeu a honrosa missão de propagar o desenvolvimento através da abertura da BR 029 que em momento oportuno seria denominada BR 364. Com a abertura da fronteira agrícola na década de setenta e o chamamento dos pioneiros, Rondônia vivia um momento de expansão.

O DESCALABRO DOS PROGRAMAS POPULISTAS

Guajará-Mirim, a pérola do Mamoré, recebeu o status de área de livre comércio em 1988, entretanto com a ausência de políticas públicas que a diferenciasse da Zona Franca de Manaus e a visível ausência de mão de obra tornaram impossível alavancar a região. A cidade alcançou, portanto, grande declínio financeiro e populacional.

A pouco tempo atrás, em Porto Velho, a construção de duas grandes usinas trouxe do restante do país um volumoso público consumidor. Contudo, com as compensações financeiras,oriundas da construção, pouco se fez e os trabalhadores regressaram ao local de onde vieram.

ENERGIA, TEMOS E TEMEMOS

A vida do rondoniense é, por si só, alvo de inúmeras dificuldades, seja pela distância dos grandes centros ou até pelo preço extorsivo praticados por alguns comerciantes, companhias áreas e descaso do próprio governo.

Nossa energia é vendida a preços módicos ao restante do país e, apesar de sediar grande parte da produção energética nacional, somos diariamente esquecidos pelas autoridades do setor e desprezados pelos Governos transitórios.

O Rondoniense teme o encerramento de um mês com a chegada da sua fatura, e o que nos resta é pagar

PASSAGEM PARA SÃO PAULO OU PARA NOVA YORK

Apesar de partirem abarrotados de passageiros, os aviões injustificadamente possuem seu acesso restrito devido ao preço elevado, sendo que os valores domésticos podem ser comparados, inclusive, com os de passagens internacionais. É claro que tais voos partem do restante do país, nos Estados onde as empresas aéreas consideram integrantes do território nacional, Brasil.

RONDÔNIA FAZ PARTE DO BRASIL?

Tentar efetuar compra em algum site pode ser mais difícil nesta região. Encontrar frases do tipo: “Frete grátis para todo o Brasil, exceto para Região Norte” é comum. Além disso, apesar de cobrar por um serviço premium os Correios, diferente do procedimento adotado para o restante do país, transporta todas as encomendas e cartas para nós exclusivamente através de caminhão.

O percurso parte de Cuiabá até Porto Velho envolve 1480 quilômetros, gerando riscos e problemas claros de logística para aqueles que tentam empreender por aqui.

A empresa postal, por conta disso, atrasa a maioria das entregas gerando inúmeros prejuízos.

O povo mais uma vez padece.

SAÚDE ESQUECIDA, ÓRGÃOS SILENTES

Os profissionais da saúde encontram dificuldades estruturais que comprometem seu exercício profissional. Tempos atrás circularam vídeos aterrorizantes de ratazanas circulando pelo João Paulo II, sendo que desde a denúncia ao Fantástico, realizada por Confúcio Moura em seu primeiro mandato, nada mudou.

Apesar disso alguns profissionais também desonram seu juramento e prestam um serviço aquém do esperado. Esses fatores unidos transformam a prestação dos serviços de saúde em um ambiente de guerra, sendo que há escassez de material e de profissionais que amem a profissão em detrimento ao vencimento no final do mês – uma combinação perfeita para o caos.

RONDÔNIA NÃO É PARA AMADORES

Há grande dificuldade em listar todos os problemas que nosso Estado possui. Rondônia só existe pois conta com a bravura de uma gente que não desiste, apesar de conviver com a vontade diariamente.

A cada ano temos que comemorar. Comemorar a sobrevivência em um Estado esquecido e com uma saúde insalubre.

Morar aqui é prova de resiliência!

E, no final, só os fortes permanecerão.

Texto: Renan Barbosa – Foto: Governo do Estado de Rondônia

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